Brasil aposta em satélite e cabos óticos para a segurança da internet. Veja!
O governo
trabalha em três frentes para tentar garantir a privacidade e a segurança da
internet no país: o lançamento de um satélite brasileiro, a construção de dois
cabos submarinos e a instalação de um Ponto de Troca de Tráfego (PTT) internacional
- centro dados em que todas as estradas da internet se encontram. Mas, apesar
de minimizarem os problemas, para especialistas não há garantia de que as
medidas acabem com a vulnerabilidade da internet porque trata-se de uma rede
mundial.
A iniciativa
mais adiantada é o lançamento do satélite. Até o fim do mês deve ser divulgado
o nome da empresa que vai fornecer o Satélite Geoestacionário de Defesa e
Comunicações Estratégicas (SGDC), e a expectativa é de que ele seja lançado em
meados de 2015.
A Telebras e a Embraer formaram uma parceria e criaram a
empresa Visiona Tecnologia Espacial. Ela fez uma licitação internacional para
fornecimento do sistema de satélite, e três empresas foram pré-selecionadas: a
Mitsubishi Electric Corporation-MELCO; Space Systems/Loral; e Thales Alenia
Space.
A proposta é a
construção de dois cabos submarinos de fibra ótica pela Telebras em parceria
com outras empresas privadas nacionais ou internacionais. O modelo poderá ser o
mesmo utilizado para o lançamento do satélite. O primeiro deles fará a ligação
Fortaleza-Caribe-Europa, e o outro, Uruguai-Brasil-África-Europa.
O centro de
dados, chamado de PTT internacional, deverá ser instalado em Fortaleza.
Atualmente o país só conta com pontos de trocas nacionais. Os PTTs
internacionais em operação estão instalados em Estados Unidos, Japão e Europa -
são por eles que passam todas as informações dos usuários de internet
brasileiros, quando vão acessar qualquer site cujo provedor esteja em outro
país: por exemplo, ao conectar-se ao Facebook ou ao Google, está fazendo uma
conexão internacional para os EUA.
Violação de
dados já é crime
O governo quer
ainda incentivar a construção de anéis óticos na América do Sul para tentar
evitar que o tráfego de dados da internet precise passar pelos EUA. O primeiro
a ficar pronto foi em Santana do Livramento (RS), no mês passado, com a
interconexão da estrutura de fibra ótica entre o Brasil e o Uruguai, parceria
entre a Telebras e a Antel, empresa de telecomunicações uruguaia. Está sendo
negociada a parceria com os governos da região, a próxima é a ligação entre as
redes da Telebras e da empresa argentina Arsat.
Para uma fonte
do governo, as medidas não vão assegurar totalmente a segurança, mas ou o país
se isola do mundo ou haverá sempre o risco de invasão da internet. Um
especialista do mercado concorda. Ele disse que espionagem é crime, coisa de
ladrão. Ele defende um trabalho conjunto em várias frentes, inclusive com
cláusulas de sigilo nos contratos.
O ex-ministro
das Comunicações Juarez Quadros disse que já existe penalidade prevista no
artigo 5º da Constituição para quem viola dados, que é reclusão de dois a
quatro anos e o pagamento de multas. Mas isto somente para a empresa que
estiver instalada no país - uma vez que não se pode processar uma companhia
estrangeira.
- A exigência de
ter o Ponto de Troca ajuda porque garante que a empresa possa ser penalizada
pela lei brasileira, mas não garante a segurança e a privacidade. A segurança
será sempre violável em termos tecnológicos - disse ele.
Foto: Reprodução
Fonte: Mônica Tavares

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