Gasto do Estado cresce 151% em uma década. Veja!
Pouco depois de
assumir o governo da Paraíba em 2011, o governador Ricardo Coutinho (PSB)
anunciou que o Estado estava em uma situação econômica difícil e que uma das
medidas para sanar esse problema seria a redução do custo da máquina pública.
Ao que parece, a
intenção não surtiu tanto efeito. No primeiro ano de mandato do socialista, em
2011, o gasto cresceu 3,6% em relação ao ano anterior, e em 2012 a alta foi de
21,4% em relação a 2011. Levando em conta os dez últimos anos, o aumento
acumulado é muito maior, um total de 151%.
São considerados
gastos com manutenção da máquina administrativa, a manutenção de equipamentos
públicos; o pagamento de contas de água, luz e telefone; a compra de gasolina
para veículos e aviões e até a contratação de serviços essenciais ao dia a dia
das repartições públicas, como faxineiras, recepcionistas, telefonistas e
motoristas. Também aparecem nesse universo, serviços bancários; material de
expediente e outros.
Segundo dados da
Controladoria Geral do Estado (CGE), entre os anos de 2002 e 2012 os custos com
a máquina subiram de R$ 456,157 milhões para R$ 1,147 bilhão, representando uma
crescente de 151%. No referido período, o único ano em que houve redução no
custeio foi em 2003, quando foi registrado R$ 454,598 milhões, no primeiro ano
de governo de Cássio Cunha Lima (PSDB). Dois anos depois, ainda na gestão
tucana, essas despesas já haviam subido mais de R$ 100 milhões, chegando a R$
555,403 milhões.
Nos últimos
cinco anos, a porcentagem de crescimento dos gastos para o funcionamento da
administração foi bastante variada. De 2008 para 2009 aumentou 4,1%, no ano
seguinte subiu 10,7 %, em 2011 houve uma desaceleração com uma crescente de
apenas 3,6%. No ano passado aconteceu um salto e os gastos foram de R$ 944,526
milhões para os já citados R$ 1,147 bilhão, 21,4% a mais.
O aumento nos
custos da máquina reflete de certa forma a receita total do Estado, que teve um
índice de crescimento mais baixo. Na década, o montante foi de pouco mais de R$
3 bilhões para R$ 7,4 bilhões, uma elevação de 144,35% ou seja, quase 6% a
menos que a do custeio. Durante a gestão de Ricardo Coutinho, os acréscimos
foram de 18% (2011) e 7% (2012).
Por outro lado,
o crescimento nos gastos com investimentos foi muito pequeno, apenas 32%. Entre
2002 e 2012, o ano em que se investiu mais foi o último, com R$ 631,475
milhões. Já o menor valor foi registrado em 2003, R$ 115,453 milhões. Em
compensação esse ano também teve a menor receita total.
GASTOS REFLETEM
AUMENTO DE SERVIÇOS
A Controladoria
Geral do Estado afirma que as medidas de contenção e racionalização de gastos
pelo governador Ricardo Coutinho têm causado diferença nas finanças da máquina
pública. Segundo o órgão, estão sendo reduzidos os custos dos serviços
prestados, mas o volume de serviços tem aumentado, o que implica em um maior
gasto total.
A CGE cita como
exemplo o aumento de serviços na área de Saúde, Educação e Segurança, cujos
gastos passaram de 39% da despesa total em 2002 para 46% em 2012, o que exige
um maior volume de recursos na manutenção e custeio.
A administração
estadual justifica que adotou gastos com a alimentação do pessoal vinculado à
Segurança, o que fizeram com que as despesas nesse setor pulassem de R$
606.938,38 (2002) para R$ 93.652.339,09 (2012). Por outro lado, a CGE diz que
as medidas adotadas fizeram com que houvesse economia em material de consumo
(de pouco mais de R$ 2 milhões); em passagens e despesas de locomoção (quase R$
4 milhões) e diárias (R$ 3 milhões).
“É natural que a
despesa (com a máquina) tenha crescido, porque os serviços foram infinitamente
ampliados, não digo nem só da Paraíba, mas do Estado brasileiro. É interessante
nós observarmos também que as receitas crescem nessa mesma proporção”, destaca
o secretário de Planejamento do Estado, Gustavo Nogueira.
SAÚDE E EDUCAÇÃO
ENTRAM NOS CUSTOS
O secretário
ressalta também que é necessário observar as diferentes despesas que se
enquadram como custos com a máquina. “Manutenção de hospitais por exemplo é
custeio. Estamos aplicando na saúde, hoje, algo próximo a 14% quando a
Constituição estabelece que é 12%; estamos com 26% na educação, quando o
obrigatório é 25%. Isso é custeio, manutenção de saúde, manutenção de
educação”, pontua.
Sobre o baixo
índice de gastos em investimentos, o governo afirma que nos últimos dois anos o
crescimento registrado foi 150% superior ao período entre 2002 e 2010. “O
importante é que o nosso equilíbrio fiscal está mantido, atestado não por nós,
mas pela Secretaria do Tesouro Nacional. Um dos indicadores avaliados é
exatamente investimento público. O Estado só conseguiu alavancar operações de
crédito porque teve o equilíbrio fiscal assegurado”, declara Gustavo Nogueira.
No ano passado,
o governo gastou R$ 1,778 bilhão em investimentos. Segundo o secretário de
Planejamento, somente nos primeiros seis meses deste ano foram investidos cerca
de R$ 314 milhões, o que ele considera um bom número.
Foto: Reprodução
Fonte: Jhonathan Oliveira

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