Jornalista é condenado por suposto texto contra juiz. Veja!
O jornalista
sergipano Cristian Góes foi condenado, em primeira instância, a sete meses e 16
dias de detenção, revertido a prestação de serviço a entidades assistenciais,
pela juíza Brígida Declerc, do Juizado Especial Criminal em Aracaju, numa ação
movida pelo desembargador e vice-presidente do Tribunal de Justiça de Sergipe,
Edson Ulisses de Melo. O magistrado se sentiu ofendido num texto publicado pelo
jornalista, intitulado "Eu, o coronel em mim", publicado em seu blog
em maio do ano passado.
Apesar do texto não ter o nome de ninguém, o
desembargador entendeu que a crítica se refere a ele e ao governador de
Sergipe, Marcelo Déda. Edson Ulisses é cunhado do govenador Déda.
O desembargador,
que não foi localizado para se pronunciar sobre a sentença, disse em audiência
que "todo mundo sabe que ele escreveu contra o governador e contra mim.
Não tem nomes e nem precisa, mas todo mundo sabe que o texto ataca Déda e a mim".
A possível ofensa sofrida pelo desembargador ocorre quando o jornalista cita a
expressão "jagunço das leis". Por isso, ele pediu a prisão do
jornalista.
O advogado do
jornalista, Antônio Rodrigues, disse que como foi uma decisão em primeira
instância, ele irá recorrer. "Em razão de ser uma sentença absurda, não
acreditamos que ela prospere, mas se for o caso, vamos ao STF em razão da
decisão ferir gravemente a Constituição Federal. E, quem sabe, podemos ir ao
Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e as cortes internacionais de Direitos
Humanos", afirmou o advogado.
Além da ação
criminal, o desembargador Edson Ulisses entrou com ação cível por danos morais
contra o jornalista e pediu que o juiz estabeleça um valor para indenização.
Eu, o coronel em
mim
Mando e
desmando. Faço e desfaço
Está cada vez
mais difícil manter uma aparência de que sou um homem democrático. Não sou
assim, e, no fundo, todos vocês sabem disso. Eu mando e desmando. Faço e
desfaço. Tudo de acordo com minha vontade. Não admito ser contrariado no meu
querer. Sou inteligente, autoritário e
vingativo. E daí?
No entanto, por
conta de uma democracia de fachada, sou obrigado a manter também uma fachada do
que não sou. Não suporto cheiro de povo, reivindicações e nem com versa de
direitos. Por isso, agora, vocês estão sabendo o porquê apareço na mídia, às
vezes, com cara meio enfezada: é essa tal obrigação de parecer democrático.
Minha fazenda
cresceu demais. Deixou os limites da capital e ganhou o estado. Chegou muita
gente e o controle fica mais difícil. Por isso, preciso manter minha
autoridade. Sou eu quem tem o dinheiro, apesar de alguns pensarem que o
dinheiro é público. Sou eu o patrão maior. Sou eu quem nomeia, quem demite. Sou
eu quem contrata bajuladores, capangas, serviçais de todos os níveis e bobos da
corte para todos os gostos.
Apesar desse
poder divino sou obrigado a me submeter à eleições, um absurdo. Mas é outra
fachada. Com tanto poder, com tanto dinheiro, com a mídia em minhas mãos e com
meia dúzia de palavras modernas e bem arranjadas sobre democracia, não tem para
ninguém. É só esperar o dia e esse povo todo contente e feliz vota em mim. Vota
em que eu mando.
Ô povo
ignorante! Dia desses fui contrariado porque alguns fizeram greve e invadiram
uma parte da cozinha de uma das Casas Grande. Dizem que greve faz parte da
democracia e eu teria que aceitar. Aceitar coisa nenhuma. Chamei um jagunço das
leis, não por coincidência marido de minha irmã, e dei um pé na bunda desse
povo.
Na polícia,
mandei os cabras tirar de circulação pobres, pretos e gente que fala demais em
direitos. Só quem tem direito sou eu. Então, é para apertar mais. É na chibata.
Pode matar que eu garanto. O povo gosta. Na educação, quanto pior melhor. Para
quê povo sabido? Na saúde...se morrer “é porque Deus quis”.
Às vezes sinto
que alguns poucos escravos livres até pensam em me contrariar. Uma afronta.
Ameaçam, fazem meninice, mas o medo é maior. Logo esquecem a raiva e as
chibatadas. No fundo, eles sabem que eu tenho o poder e que faço o quero. Tenho nas mãos a lei, a justiça, a polícia e
um bando cada vez maior de puxa-sacos.
O coronel de
outros tempos ainda mora em mim e está mais vivo que nunca. Esse ser coronel
que sou e que sempre fui é alimentado por esse povo contente e feliz que
festeja na senzala a minha necessária existência .
Foto: Reprodução
Fonte: ClickPB

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