Bento 16 anunciou nesta segunda-feira oficialmente que renuncia ao Pontificado por sua "idade avançada". Veja!
Os católico de
todo mundo tiveram um choque neste domingo, quando foi divulgada uma carta de
renúncia do cargo do Papa Bento 16. Em comunicado, feito em latim durante uma
assembleia de cardeais na qual se discutia um processo de canonização, Bento 16
disse que deixará o cargo devido à idade avançada, por "não ter mais
forças" para exercer a função. A saída do Papa será formalizada no dia 28
deste mês.
O Papa completará
86 anos em abril e na carta de renúncia afirmou que no mundo de hoje, é
necessário o vigor tanto do corpo como do espírito, vigor que, nos últimos
meses.
Esta é apenas a
segunda vez que um Papa da Igreja Católica renuncia ao pontificado. O último
papa a abdicar de seu pontificado foi Gregório XII (1406-1415), aos 88 anos,
após ajudar a resolver a crise do cisma da Igreja Católica, reunificando a
Igreja em torno de um único papa.
O cargo ficará
vago até a eleição do próximo papa. Aos 78 anos, ele foi um dos cardeais mais
idosos a ser eleito papa. Ele assumiu o cargo máximo da Igreja Católica em
2005, após a morte de seu antecessor, João Paulo II.
Veja íntegra da
carta
"Queridísimos
irmãos,
Convoquei-os a
este Consistório, não só para as três causas de canonização, mas também para
comunicar-vos uma decisão de grande importância para a vida da Igreja.
Após ter
examinado perante Deus reiteradamente minha consciência, cheguei à certeza de
que, pela idade avançada, já não tenho forças para exercer adequadamente o
ministério petrino. Sou muito consciente que este ministério, por sua natureza
espiritual, deve ser realizado não unicamente com obras e palavras, mas também
e em não menor grau sofrendo e rezando.
No entanto, no
mundo de hoje, sujeito a rápidas transformações e sacudido por questões de
grande relevo para a vida da fé, para conduzir a barca de São Pedro e anunciar
o Evangelho, é necessário também o vigor tanto do corpo como do espírito, vigor
que, nos últimos meses, diminuiu em mim de tal forma que eis de reconhecer
minha incapacidade para exercer bem o ministério que me foi encomendado.
Por isso, sendo
muito consciente da seriedade deste ato, com plena liberdade, declaro que
renuncio ao Ministério de Bispo de Roma, sucessor de São Pedro, que me foi
confiado por meio dos Cardeais em 19 de abril de 2005, de modo que, desde 28 de
fevereiro de 2013, às 20 horas, a sede de Roma, a sede de São Pedro ficará vaga
e deverá ser convocado, por meio de quem tem competências, o Conclave para a
eleição do novo Sumo Pontífice.
Queridísimos
irmãos, lhes dou as graças de coração por todo o amor e o trabalho com que
levastes junto a mim o peso de meu ministério, e peço perdão por todos os meus
defeitos.
Agora, confiamos
à Igreja o cuidado de seu Sumo Pastor, Nosso Senhor Jesus Cristo, e suplicamos
a Maria, sua Mãe Santíssima, que assista com sua materna bondade os Cardeais a
escolherem o novo Sumo Pontífice. Quanto ao que diz respeito a mim, também no futuro,
gostaria de servir de todo coração à Santa Igreja de Deus com uma vida dedicada
à oração.
Vaticano, 10 de
fevereiro 2013."
Veja a biografia
do Papa Bento 16
O cardeal alemão
Joseph Ratzinger foi eleito papa em 19 de abril de 2005, em substituição a João
Paulo 2º, que havia morrido em 2 de abril de 2005.
Bento 16 é o
265º papa e o primeiro a ser eleito no século 21. Ele assumiu o posto em meio a
um dos maiores escândalos enfrentados pela Igreja Católica em décadas - o
escândalo de abuso sexual de crianças por clérigos.
Líder da
Congregação para a Doutrina da Fé, Bento 16 contou com o apoio das alas mais
conservadoras da igreja à época de sua escolha como sumo pontífice.
Ratzinger nasceu
em 16 de abril de 1927 em Marktl, Alemanha, e entrou para o seminário aos 12
anos. Na adolescência, estudou grego e latim, e mais tarde se doutorou em
teologia pela Universidade de Munique.
É conhecido como
grande estudioso e possui sólida carreira acadêmica. Na Igreja, ocupou o posto
de prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, responsável por difundir e
defender a doutrina católica.
Com a morte de
João Paulo 2º, Ratzinger foi eleito pelos cardeais em abril 2005 e adotou o
nome de Bento 16.
Durante a
Segunda Guerra, chegou a ser convocado para combater nos esquadrões antiaéreos
alemães. Dispensado, acabou sendo recrutado primeiro pela legião austríaca e
depois pela infantaria alemã, da qual desertou em menos de dois meses.
De volta ao
seminário, foi ordenado padre em junho de 1951. À função, somou o trabalho como
professor de teologia, primeiro na Universidade de Bonn e depois na de
Regensburg, onde seria reitor.
Em março de
1977, tornou-se arcebispo de Munique e Freising e, menos de três meses depois,
foi criado cardeal pelo papa Paulo 6º. Já sob João Paulo 2º, em 1981, Ratzinger
tornou-se o líder da Congregação para a Doutrina da Fé.
Neste cargo,
Ratzinger reprimiu com força os teólogos que saíram de sua doutrina rígida e
alienou outras denominações cristãs dizendo que não são igrejas verdadeiras.
Chamado de
Guardião do Dogma, ele combateu o sacerdócio feminino e condenou a
homossexualidade, além de ser contra a comunhão aos divorciados que voltarem a
se casar e a impedir o crescimento do laicismo dentro da Igreja, mas não se
considera um "durão".
Portal Correio
Post a Comment