Pacote de R$ 66,8 bilhões pode não chegar a municípios. Veja!
O governo
federal anunciou uma enxurrada de recursos para prefeituras que poderão ficar
parados em bancos oficiais.
Ao inaugurar o
diálogo com os novos prefeitos, em janeiro, o governo anunciou um pacote aos
municípios de R$ 66,8 bilhões para todo tipo de investimento, mas já
contabiliza ao menos dois graves problemas para fazer o dinheiro chegar na
ponta: atraso de obras e falta de projetos de qualidade por parte das
prefeituras.
Do outro lado,
os prefeitos reclamam das rigorosas exigências técnicas que inviabilizam os
projetos ou acabam colocando os municípios no Cadastro Único dos Convênios
(Cauc), espécie de SPC das cidades.
A estimativa da
Confederação Nacional dos Municípios (CNM) é que 3.588 municípios têm algum
problema no Cauc. Ou seja, mais da metade das cidades estão, no momento, com
restrições impostas pelo próprio governo e terão dificuldade de ter acesso a
uma parcela da dinheirama anunciada pela presidente Dilma Rousseff.
A CNM afirma que
as prefeituras não podem se beneficiar de muitos programas porque estão com
problemas de inadimplência, não prestação de contas e desrespeito à Lei de
Responsabilidade Fiscal. O presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, reconhece que os
programas federais são bons, mas que os gestores ficam de mãos atadas:
“Os programas
são bons, mas do que adianta? Os municípios não podem celebrar convênios. Tenho
dito para os prefeitos: não entrem nos programas sem saber se podem cumprir ou
não. O governo inventou 390 programas para os municípios. Mas depende de
convênio. E como fazer isso, se 3.588 cidades estão no Cauc? Soa equivocado
falar em bondades para os prefeitos. Soa bem aos ouvidos, mas na maioria dos
casos a prefeitura não é a tomadora (dos recursos)”, disse o presidente da
entidade.
Dados do Sistema
de Gestão de Convênios e Contratos de Repasse (Siconv), gerenciado pelo
Ministério do Planejamento, mostram essa dificuldade: em 2012, foram realizadas
10.826 transferências voluntárias para estados, municípios e entidades sem fins
lucrativos, sendo 74% (ou 8.022 convênios) para as prefeituras. De um total de
empenhos (compromisso de pagamento) de R$ 7,3 bilhões, R$ 3,42 bilhões foram para
os municípios, porém com execução final de apenas R$ 880 milhões.
Segundo
integrantes do Ministério do Planejamento, a legislação realmente está mais
rigorosa no que se refere às transferências voluntárias. Para evitar fraudes e
desvio de recursos por meio de emendas parlamentares destinadas a entidades sem
fins lucrativos, por exemplo, o governo apertou as regras no decreto 7.568 de
setembro de 2011.
Os prefeitos
sustentam que faltam técnicos para medir todas as obras e viabilizar os
pagamentos. Segundo Ziulkoski, as prefeituras deixaram de receber R$ 16,5
bilhões em 2012.
Fonte: Agência Brasil
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