PARAÍBA: Falta especialização para médicos. Veja!
Dos 5.259
médicos em atividade na Paraíba, 46,04% (2.421) não têm título de especialista
emitido por sociedade de especialidade ou obtido após conclusão de Residência
Médica. Por outro lado, 53,96% dos profissionais têm uma ou mais
especialidades. Os dados fazem parte do estudo 'Demografia Médica - volume 2',
produzido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), que em nível nacional mostrou
54% dos médicos (207.879) com uma ou mais especialidade, contra 46% (180.136)
sem título de especialista.
De acordo com o
CFM, o dado é preocupante, pois evidencia a deterioração da qualidade do ensino
médico e a falta de vagas nas Residências Médicas para todos os egressos dos
cursos de graduação.
Excluindo-se os
médicos mais jovens, que ainda não ingressaram ou não concluíram seus cursos de
especialização, e os mais velhos, que desistiram de tentar vagas em residência
ou não se submeteram aos atuais mecanismos de especialização, restam 88.000
médicos sem título no Brasil. Este contingente, com idades que variam de 30 a
60 anos, é o mais prejudicado pelas deficiências no acesso à Residência Médica.
"Cabe ao
Governo proporcionar um sistema formador em condições de atender essa demanda
reprimida e os futuros egressos das escolas. Todos devem ter a possibilidade de
aperfeiçoar sua formação, o que resultará em benefícios diretos para o paciente
e a sociedade", lembra o presidente do CFM, Roberto Luiz d'Avila.
Para ele, não
adianta apenas criar vagas em cursos de medicina, mas se deve assegurar uma
estrutura de pós-graduação em número e qualidade suficientes. "Ao terem
acesso ao aprimoramento e atualização profissional, estes profissionais
poderiam suprir carências localizadas do sistema de saúde, inclusive na atenção
primária", revela o presidente do CFM. No cenário atual, como inexistem
vagas de Residência Médica para todos, parte desses jovens médicos poderá
permanecer por muito tempo ou por toda a vida profissional sem especialização.
POUCAS VAGAS NA
UFPB
O diretor do
Centro de Ciências Médicas (CCM) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB),
Marco Antônio Barros, ressalta que o número é resultado de uma série de
problemas, dentre eles infraestrutura precária e aumento das graduações em
Medicina.
“Nós não temos
vagas para todos os alunos. O ideal seria oferecer o número de vagas igual ao
de graduados por ano, mas é necessário uma série de pré-requisitos para criar a
especialização. Do ponto de vista estrutural, ficamos limitados, pois o
Hospital Universitário (HULW) não tem serviços e recursos para criarmos as
especializações”.
Outro fator
apontado pelo médico foi o aumento das graduações na área. “Tivemos aumento
desenfreado nas escolas de Medicina, mas as pós-graduações não seguiram o
crescimento e isso sobrecarrega a residência”, afirma. Cerca de 100 alunos de
medicina se formam por ano na UFPB, para 53 vagas para residência.
Fonte: JP Online
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