PB volta a ser “destaque” no Fantástico; explosão de caixas eletrônicos é novo escândalo. Veja!
Venda indiscriminada
e ilegal de explosivos, por preços mais baixos que os cobrados por
contrabandistas no Paraguai.
Este é um dos
retratos da insegurança na Paraíba, onde o governo do estado insiste em
divulgar a suposta redução nos números da violência.
O Fantástico mostrou
várias cidades da Paraíba que tiveram caixas eletrônicos explodidos por
quadrilhas que atuam livremente no interior do estado, inclusive na capital,
João Pessoa.
Assista o vídeo
completo clicando AQUI.
Durante um mês,
o Fantástico seguiu os passos das quadrilhas que compram dinamite para explodir
caixas eletrônicos.
A cena é
impressionante, e ocorre em quase todo o Brasil. Para entrar na agência
bancária que está fechada, bandidos usam um machado ou um pé de cabra. Qualquer
pessoa que esteja por perto pode virar refém, até mesmo policiais.
Dentro da
agência, os criminosos golpeiam os caixas eletrônicos. O que eles querem é
abrir espaço pra colocar dinamite dentro das máquinas.
As explosões
destroem não só os caixas, mas a agência toda. Colocam em risco prédios
vizinhos e aterrorizam cidades inteiras.
Quase sempre são
municípios onde os poucos policiais não têm equipamentos para enfrentar as
quadrilhas fortemente armadas, como conta um PM que não quer ser identificado:
“Estava sozinho com uma pistola somente, e eles estavam em torno de oito
armados com fuzil de grosso calibre”.
Os bandidos
também atacam os cofres de pedágios, empresas e até prefeituras. A guerra
começa com o comércio clandestino e o roubo de explosivos.
Em Pedro Juan
Caballero, cidade paraguaia na fronteira com o Mato Grosso do Sul, o Fantástico
localizou vendedores de explosivos, que negociam bananas de dinamite
tranquilamente, à luz do dia.
- O que você
precisa?
- Quero
dinamite.
- Tem, tem?
- Boa, boa. Que
funcione.
- Tem, tem.
O preço de cada
banana: R$ 400 reais. O homem diz que fornece explosivos para quadrilhas
brasileiras:
- Vem um cara
que vem sempre direto comprar com a gente aqui. Ele só leva dois, três, para
explodir caixa eletrônico. Ele é de Mato Grosso.
Segundo a
Polícia Civil, no ano passado, Mato Grosso teve 66 assaltos a banco, e em 58
deles foram usados explosivos. Em geral, os alvos são os caixas eletrônicos.
A diferença em
Aral Moreira, na fronteira com o Paraguai, é que os bandidos não queriam os
caixas eletrônicos. Eles estavam atrás do cofre principal, que ficava na
tesouraria do banco. Eles levaram quase R$ 500 mil em dinheiro.
O assalto foi no
fim do ano passado. Antes de explodir a agência bancária, os bandidos invadiram
o posto da PM e renderam o único policial que estava de serviço.
“Eu estava na
sala de espera, sentado, sozinho, de repente chegou um cidadão com um fuzil.
Surgiu do nada. Surgiu um, surgiu outro e foi surgindo. Foram os quatro ou
cinco elementos que entraram e chegaram me espancando. Foi muito chute e
coronhada de arma longa. Fui obrigado a mostrar onde estavam as armas, o colete
que a gente tinha. Todos os material bélico que a gente tinha levaram”, conta.
A quadrilha
roubou ainda o carro da PM e levou o policial como refém. “Abriram o
compartimento de preso, me puseram dentro e falou assim: ‘Agora vamos para o
banco’.
Um segundo carro
deu cobertura à ação. O ataque à agência foi gravado pelas câmeras de
segurança. Os bandidos precisaram de menos de um minuto para quebrar a porta da
agência, preparar a explosão, recolher o dinheiro e fugir.
O policial ficou
cerca de duas horas e meia como refém, até finalmente ser solto. “Achei que ia
morrer”, diz.
Em Cotiporã,
interior do Rio Grande do Sul, imagens mostram um assalto a uma fábrica de
joias, no fim do ano passado. Foram dez explosões. Na fuga, os nove bandidos
usaram três carros, levando dez reféns.
Uma patrulha com
quatro policiais militares interceptou a quadrilha. Um policial foi atingido.
Durante 40 minutos houve troca de tiros e tentativas de negociação para a
libertação dos reféns.
“Gritavam para
nós: ‘Entregue a arma de vocês. Pegue a viaturinha de vocês e vão embora, que
nós prometemos deixar vocês vivo’. Os reféns estavam em pânico, então nós
tínhamos que manter a calma, e tentar manter os reféns calmos também, para uma
boa atuação”, diz um policial militar.
“Foi muito tiro,
foi muito forte. Teve uma hora que eu achei que ia morrer, porque o tiro foi
muito perto. Teve um momento que eu fiquei surdo, não ouvi mais nada”, conta um
refém.
Nenhum refém
ficou ferido. Seis bandidos conseguiram escapar e três morreram no local. Entre
eles, Elisandro Falcão, responsável por 15 assaltos com explosivos no Rio
Grande do Sul e em Santa Catarina. Segundo a polícia, Falcão chegou a comprar
uma pedreira.
“É uma pedreira
adquirida pelo Falcão. Alguns meses atrás, com o objetivo de possibilitar que a
quadrilha adquirisse legalmente explosivos. Era um centro de treinamento da
quadrilha. Segundo vizinhos, eles ouviam explosão, certamente testando
quantidade de explosivos, coisas desse tipo”, diz Juliano Ferreira, delegado da
Polícia Civil do Rio Grande do Sul.
Imagens mostram
a prisão de Dênis Martins Fernandes, que era comparsa do Falcão. Segundo a
polícia, essa quadrilha é a responsável pelos assaltos que você viu no início
da reportagem.
Durante as
investigações, escutas feitas pela polícia de Santa Catarina e autorizadas pela
Justiça mostram Dênis relatando a quantidade de dinamite usada na explosão da
agência na cidade de Sombrio, interior do estado: “Devem ter usado dois e meio.
Prejudicou um pouquinho só dentro, um pouquinho. Abriu daquele jeito”.
Os bandidos não
sabem calcular a quantidade de explosivos. Por isso, muitas vezes acabam
destruindo a agência toda.
No Paraguai, o
repórter Giovani Grizotti negocia com um vendedor clandestino em Ciudad del
Este. O vendedor explica que a quantidade depende do tipo de assalto:
- Tem umas que
já vêm preparadas para estourar uma casa ou ônibus. Tem umas que já vêm
preparadas para caixa eletrônico. R$ 500 reais com o pavio.
Na mesma cidade
paraguaia, outro vendedor diz que consegue dinamite porque o irmão trabalha em
uma pedreira, conhecida como ‘cantera’:
- Quanto sai?
- Esse está
caro, meu irmão: US$ 150 dólares cada uma.
- Cada banana?
- Sim. Você não
vai conseguir em qualquer lugar. Eu tenho meu irmão que trabalha na ‘cantera’.
No Brasil, os
bandidos também buscam explosivos em pedreiras, garimpos e obras. Em uma região
mineradora no interior da Paraíba, um garimpeiro oferece uma grande quantidade
de explosivos.
- Aquela
quantidade que o senhor tem lá é 25 quilos?
- 25 quilos.
- Esses 25, o
senhor faz por quanto?
- R$ 260
- E o senhor
acha que isso dá para cem explosões?
- Nessa faixa.
Com o único
banco destruído, as vendas no comércio de lagoa seca despencaram, como diz um
lojista que não quer ser identificado: “O comércio teve uma queda de 80%, está
praticamente parado”.
Em outra cidade
paraibana, o ataque aconteceu na agência, que fica ao lado da Câmara de
Vereadores e em frente ao fórum. Os bandidos entraram no banco de madrugada. A
explosão foi tão forte que destruiu até o telhado da agência e abriu rachaduras
no prédio vizinho.
“A explosão
parecia que era dentro de casa. Parecia que tinha derrubado a casa”, conta uma
moradora.
“O pessoal
sentiu um medo muito forte. Teve gente que pensou que era o fim do mundo,
estavam dizendo que o mundo ia acabar”, diz outro morador.
No início deste
mês, uma quadrilha usou um homem-bomba para roubar dinheiro de um carro-forte
na capital paraibana. Segundo a polícia, os bandidos invadiram a casa de um
motorista da empresa proprietária do carro-forte. Tomaram a família como refém.
Em seguida, prenderam explosivos no corpo dele e fotografaram tudo.
Ele saiu sozinho
para trabalhar, levando um telefone celular dado pelos bandidos. Enquanto a
família estava em poder da quadrilha, ele foi obrigado a informar pelo telefone
quando haveria o transporte de uma grande quantidade de dinheiro.
O bando atacou,
explodindo o carro-forte. Levou R$ 650 mil e libertou os reféns e o motorista.
Para inibir
esses assaltos, o mecanismo de segurança mais comum é o dispositivo que mancha
as notas quando o caixa é estourado, mas os bandidos descobriram como lavar as
cédulas. “Na primeira leva de tinta, eles conseguiam lavar a tinta. Então os
bancos já estão no quarto tipo de tinta, e esse tipo de tinta que é usado agora
não se consegue lavar, porque ele entranha na nota”, explica o presidente da
Federação Brasileira de Bancos, Murilo Portugal.
Outras
tecnologias estão sendo testadas, como a bomba que solta fumaça na agência
quando os caixas são atacados. A ideia é dificultar a visão dos bandidos, que
assim desistiriam do assalto.
“Alguns bancos
estão testando essa bomba de fumaça, e nós ainda não temos uma opinião final
sobre isso. Nós devemos atacar as causas desse problema, que é o acesso fácil
aos explosivos, é o excesso de bandidos na rua”, diz o especialista.
Pela lei, cabe
ao Exército fiscalizar a fabricação, o comércio e o uso de explosivos. No ano
passado, segundo o Exército, pouco mais da metade das 1.070 empresas que têm
autorização para usar explosivos foi fiscalizada.
“Em 2012 foram
realizadas 450 vistorias em empresas diferentes, 450 vistoriadas em todo o
Brasil. Vistorias aonde o fiscal vai no depósito, vistorias para verificar
indícios de irregularidades, vistorias realizadas para concessão, para revalidação:
se a gente somar tudo isso, vai dar mais de 50%”, diz Achiles Santos Jacinto
Filho, assessor da Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados do Comando
do Exército.
Ainda segundo o
Exército, no ano passado foram registrados 60 casos de extravio de explosivos.
Só nesta semana houve pelo menos três episódios de roubo em diferentes regiões
do Brasil.
Em São Paulo, 75
quilos de dinamite foram levados do canteiro da obra de duplicação da rodovia
dos Tamoios, na altura de Paraibuna. Em Ribeirão Preto, sete homens armados
levaram 500 quilos de dinamite do galpão de uma pedreira. E no Maranhão a
polícia prendeu um bandido com 100 quilos do mesmo explosivo, roubados de uma mineradora.
“Temos que ter
essa preocupação do comércio e do trânsito desses explosivos, mas por si só
isso não resolve”, diz o secretário de Defesa Social de Minas Gerais, Rômulo de
Carvalho Ferraz.
Minas Gerais
teve 19 assaltos este ano, e 148 no ano passado. Para o governo do estado, o
combate a esse crime exige mais investimentos. “O que resolve é basicamente uma
melhor proteção desses aparelhos, desses caixas eletrônicos, e por outro uma
investigação cada vez mais eficaz para conter esses grupos criminosos”, afirma
Ferraz.
Em nota, enviada
ao Fantástico, a Polícia Federal diz que tem intensificado a atuação contra os
assaltantes de bancos que utilizam explosivos.
Fonte: ClickPB
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